sexta-feira, 26 de julho de 2013

A ARTE DE PESCAR

Outro dia a Baía de Vitória recebeu um cardume de Lactophrys trigonus Linnaeus, vulgarmente denominado baiacu, peixe muito apreciado na mesa do capixaba. Logo surgiu uma legião de pescadores, subitamente entendidos na arte de apanhar o pescado e, mais ainda, na de transformá-lo em moqueca. Ali na Ilha do Boi, próximo ao  Village de Lilly, contaram-me que se apanhou mais de cem baiacus em uma única manhã.  E Vitória reencontrou-se com sua gênese ictiófaga, cultuando a carne saborosa e sem espinhas do melhor pescado que nada sob as águas do Atlântico.
Não tenho paciência ou técnica para a pescaria. Nasci lá no alto das montanhas e gastei a meninice apanhando pequenos lambaris nos córregos de água cristalina de outrora. Mas devo confessar que  invejo aqueles homens da beira mar. Nem tanto por sua destreza na captura do baiacu. Invejo neles é a fé Alguns eu vi vasculharem o mar por meses sem fisgar um único peixe. Vinham assim mesmo todas as manhãs, carregando suas caixas, suas varas de pesca e sua esperança. Sabiam que dias melhores viriam!
Em tempos de desesperança, quando ouvimos já  aqui e ali soarem as trombetas dos apocalípticos, com a mídia divulgando catástrofes naturais e pragas, histórias de pais que estupram filhas e de filhos que matam os pais por ganância ou por não conseguir tirar deles dinheiro para comprar drogas, qualquer raio de esperança em dias melhores mostra que nem tudo está perdido.

Graças a Deus ainda há pescadores nesse mundo! Quem sabe ainda não haja tempo para pescar os valores que perdemos nessa caminhada nem tão longa que é a jornada humana sobre o planeta. Dia Após dia, cultivaremos então o oceano da manhã na esperança de que venha bater nele um cardume de Tolerância. E quando isto finalmente acontecer, pescaremos com alegria, para montar uma moqueca temperada com sentimentos antes esquecidos. Hoje é o dia perfeito para começar a pescar!