domingo, 6 de outubro de 2013

A valentia do cabo Zeca

            Cabo Zeca cresceu e ganhou fama prendendo os irmão Ferrinho, que roubava gado e era liso que nem que cobra d’água sim senhor. Foi num janeiro de sol que Deus mandava e o Diabo aumentava, quando ia cardo o capim ralo e os boi andava no osso puro. Caído no zói grande ou na necessidade, porque dinheiro de roubo diz que é maldito e dura pouco, os irmão Ferrinho lá ia tocando uma boiada com a marca do coronel Ramiro, deixando o rastro dos animal que morria, e cabo Zeca mais a volante atrás. Dois dia antes do açude cabo Zeca avistou os meliante e, deixando o dia ir embora, botou ferro em todo mundo e fez caminho de volta.
            Nas graça do coronel Ramiro, cabo Zeca entrou no partido do governo e no gosto do povo, que esqueceu até das senvergonhices de Carminha Couro-Duro, mulher do cabo que andava com todo mundo reclamando que na cidade nem não tinha homem e que andando com todo mundo ainda era moça, virou logo vereador mais votado. Mas na preguiça do sol queria muito trabalho não, de modo que nem não aceitou a presidência da Câmara, vendendo o direito pro coronel Bira pra comprar logo uma fazendinha.
            Uns dois ano labutou Cabo Zeca contra a seca e as pedra pra criar umas mil cabra naquela secura. Sorte foi que conseguiu o desvio de um fio d’água passando pela fazendinha a troco de um voto de aprovação das conta do prefeito. Depois disso tudo verdou e até as galinha crescia bonito e botava direitinho no quintal. O leite virava logo queijo e um cabrinha vigiava pra modo dos peão não desviar nem um litro pros filho. E os queijo que Carminha Couro-duro fazia logo ficava conhecido e famoso. Até na capital quem podia pagar bem comprava com gosto os queijo, menos o governador, que este toda semana recebia duas peça de presente.


            Mas cabo Zeca mesmo rico era homem de polícia e de nenhum luxo nem não gostava. Usava sempre a farda surrada e preferia a charrete que o automóvel, que ficava sempre disposto pras saídas de Carminha Couro-duro. Aliás, a mulher andava feliz e já nem não reclamava de nada, visitando duas ou três vez por semana um dentista na cidade vizinha e fazendo compra daquelas porcaria bonita que nem não vale nada e as mulher adora. Tudo ia em paz e o homem ficando melhor na vida, até que Carminha Couro-duro pegou barriga num dia e uma emboscada  logo junto. Como o cabo chorava no enterro, o povo e o delegado dava o crime por misteriosos e o mistério por sem solução. O promotor Cajazeira até que queria mexer no trem, só que o juiz Bento Salles acreditava no coronel Ramiro quando ele dizia que a Carminha Couro-duro andava triste e tudo e que era capaz mesmo que se matava com cinco tiros coisa e tal. E tudo se acabou assim, seu moço. Quer dizer, continuou assim, porque se as coisa começa pra terminar, também é muito certo que as vez acaba pra principiar de novo. E é. Assim é que foi. Cabo Zeca casou de novo e podia até ir à igreja agora todo domingo de manhã pegando no braço com a mulher. Um ano mais tarde nasceu o filho do casal, um pouquinho antes da eleição de Patulé pra prefeito. Bem, isso é outra história, seu moço.

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