quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

MEA CULPA

Patulé nasceu pelado
Como nasce todo mundo
Amarelo e barrigudo
Deformado, olho fundo!

Cresceu fraco o Patulé
Meio a fome e as pancadas
Educado pelo eito
Hospedado na estrada

Morreu cedo o Patulé
Sem tomar um bom sorvete
Sem carinho de mulher
Sem cimento em sua cova

Deus perdoe esse poeta
Que nunca sentiu a fome
Que nunca sangrou no eito
Que fala só de ouvir

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